The Favourite

The Favourite

Olivia Colman, Rachel Weisz e Emma Stone. Que trio formidável de atrizes formidáveis. Fazia muito tempo que não assistia a um filme com interpretações, assim, hipnotizantes. São performances que cumprem função dupla, comentando a narrativa e funcionando como chave para a própria leitura da obra: tudo é atuação, das ações mais extravagantes às reações mais minimalistas.

No geral, um retrato do arrivismo, das vaidades, do vazio e da sociopatia nas camadas do alto poder. A trama se passa no século 18, mas poderia ser transposto apenas com as devidas adaptações de figurinos e cenografia para os séculos 19, 20, 21 ou 17, 16, 15, 14.

Me parece o filme mais acessível de Yorgos Lanthimos, que ajusta sua misantropia na busca de cativar um público mais abrangente. Mas, não por isso o resultado deixa de ser menos valoroso e provocador. Gosto, também, de como o roteiro planta algumas pistas falsas e não se dá ao trabalho de mastigar todas as informações para a audiência.

Achei o ato final poderosíssimo e me encantei com as diversas fusões adotadas na montagem, retomando traços de linguagem para um fazer cinematográfico clássico – ao mesmo tempo em que ousa na cinematografia.