Beautiful Boy

Beautiful Boy ★★★★

Por tratar de um tema sério e delicado - adolescentes e o vício compulsivo em drogas - Querido Menino pode ser encarado a princípio como uma espécie de filme de auto-ajuda, algo tão comum no subgênero, mas não é.

O diretor Felix van Groeningen (Alabama Monroe) se livra de qualquer responsabilidade de dar respostas ou explicações ao espectador, consequentemente, seus personagens também não as tem.

O mundo de Querido Menino é cruel, triste e real. Não há redenção, nem superação. Groeningen expõe, sem fazer de sua história um novelão, os caminhos a serem trilhados e de onde deve sair a força de vontade para que um jovem possa vencer uma batalha interna e que afeta todos ao redor, refletindo principalmente na figura do pai.

Timothée Chalamet, numa atuação incrível que merecia indicação ao Oscar, dá trejeitos sutis e grande peso dramático a Nic, um jovem viciado em diversas drogas, sendo a metanfetamina - uma das piores, devido à próxima dose sempre precisar ser maior que a anterior - seu grande problema.

Steve Carell é o pai, numa atuação contida, mas precisa, que põe pra fora, em uma das cenas mais belas do longa, um sentimento de perda e culpa que transpassa a tela. É gratificante ver sua ascensão desde que se rendeu aos dramas.

Ao final, fica a lição, talvez aos jovens em escolas e universidades, da destruição e vazio que as drogas trazem, mas serve também àqueles pais que se culpam amargamente por uma escolha que nunca fora deles. Ou foi? Fumar maconha com o filho é abrir as portas para outras drogas? Groeningen não crava nada, mas abre para debate.

O cartaz que remete a uma fotografia antiga e dobrada demonstra o sentimento de carinho que sempre existirá, embora a ausência de cores também seja nítida.

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