Emicida: AmarElo - It's All for Yesterday ★★★★★

Quando vi o trailer de AmarElo, disponível na Netflix, imaginava que seria o registro do show do Emicida no Teatro Municipal de São Paulo. Porém o artista é pretensioso e, neste trabalho, vai além de mostrar seu novo álbum e inspirações. Emicida protagoniza um documentário mostrando toda a história da negritude no Brasil, dos movimentos sociais, artísticos e políticos. É uma baita aula de história vista do ponto de vista dos negros e do artista. Você entende muito bem como ele mistura brilhantemente o samba com o rap e canta para fazer as pessoas desfavorecidas e discriminadas sonharem.
Sua pretensão não é um defeito muitas vezes atribuído a pessoas que querem ir além do que podem ser. Emicida já é. Ele quis ocupar o Teatro Municipal, na maioria das vezes visitado somente pela classe alta e branca, como forma de mostrar que todos podem pisar naquele espaço e naquele palco. Ele tem poder para isso. Suas músicas têm qualidade e História para isso.
É emocionante acompanhar sua trajetória no documentário e terminar a obra de forma catártica com a música AmarElo, quando vemos no palco Emicida, Majur e Pablo Vittar juntos. O Brasil é isso, é a diversidade, é dos pretos, dos gays, das trans, é de todo mundo, ao contrário do que essa era bolsonarista tenta pregar. Emicida sabe que não é possível brigar por uma só causa. Tem que ser por todas as causas e deve-se ter união. "Tudo que nóis tem é nóis".
A catarse feita pelo artista é a reparação de tudo o que foi negado por esses grupos no passado. É como acontece no ditado citado algumas vezes durante a obra "Exu matou um pássaro ontem, com uma pedra que só jogou hoje."

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