That Thing You Do!

That Thing You Do! ★★★½

Em 1996, Tom Hanks era mais do que simplesmente um ator oscarizado. Era um diretor iniciante, que auxiliava atores brincando de astros da música. Funcionando quase como um “Mockumentary” (no encarte da trilha sonora do filme os membros da banda fictícia posavam e respondiam perguntas como se fossem uma banda de verdade), The Wonders – O Sonho Não Acabou, conta com Tom Everett Scott na bateria, Johnathon Schaech como vocalista, Steve Zahn como guitarrista e Ethan Embry como baixista na formação da banda, além das presenças marcantes de nomes conhecidos, como Liv Tyler, Charlize Theron e do próprio Tom Hanks em papeis secundários, como pessoas que sempre estavam ali, por perto, ora acompanhando, ora interferindo no rumo das decisões tomadas pelo grupo. É bem curioso quando um filme retrata uma área específica do show business, como a música enquanto atração midiática, capaz de promover uma banda ou alça-la ao rótulo de “One-Hit Wonder” (uma brincadeira que é feita ao longo do filme, porque onde quer que eles fossem, tocavam a mesma música, That Thing You Do!, que também estourou fora das telas). Os atores, mesmo que nem sempre estivessem tocando o instrumento da forma correta na “Hora H” e ainda contem com o auxílio de músicos profissionais, tornavam-se aprendizes de instrumentistas, porque viviam aquilo intensamente. É quase como se eles tivessem que aprender as “manhas” de uma outra profissão, o que faz deles, enquanto o filme é projetado, reféns do papel que estão exercendo.

A veia musical de Tom Hanks era tão forte que ele chegou a compor algumas músicas para o filme, ao lado de gente talentosa como o finado Adam Schlesinger e o compositor de cinema Howard Shore. Seu interesse na música era tão grande que, após o lançamento de The Wonders, ele chegou a criar seu próprio selo, com o mesmo nome que levava no filme: Playtone Records. Serviu como fonte de apoio a várias outras trilhas sonoras de cinema e televisão, até mesmo na série Sopranos. Esse lado “falsamente real” do filme nunca é inteiramente explicado, mas basta uma simples pesquisa no Google para você perceber que existiram, sim, pelo menos duas bandas com esse mesmo nome, mas a historinha contada no final para estabelecer o caminho que cada personagem trilhou é inspirada na trajetória da banda The Fabulous Epics. Acaba sendo bem divertido ver como, na indústria, existe mérito, mas também tem todo um script esculpido visando a continuidade do sucesso. Eu assisti a versão estendida, então tive acesso até a mais nuances dessa narrativa: brigas, disputas de ego, entraves românticos. Aqueles velhos clichês de bandas que começam a fazer tour e desabrochar para o mundo. Conhecemos essas histórias, mas cada pessoa é diferente, então sempre teremos uma nova versão dos fatos. Tom Hanks nos mostra uma delas, e é bem divertido e interessante acompanha-la.

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