2001: A Space Odyssey

2001: A Space Odyssey ★★★★★

I’m sorry Dave, I’m afraid I can’t do that.

Imagino que todo mundo está cansado de ouvir que é impressionante que esse filme tenha sido feito em 1968. Talvez ainda mais impressionante seja como esse filme é atemporal. Ele ainda funciona, e muito mais que isso, ele ainda IMPRESSIONA.
2001: A Space Odyssey é considerado por muitos como o ponto que divide o gênero Sci Fi no cinema sendo, antes do lançamento, um gênero muito mais próximo da fantasia e sem nenhum cuidado cientifico (com algumas exceções).
Kubrick convida o público para uma jornada, que se você não está disposto a se juntar, o filme se tornará chato e parado, mas se você aceita, você entra em uma experiência sensorial rica que te leva a um lugar que você nunca vai explorar: o espaço.
Inúmeros cineastas já tentaram nos levar ao espaço, e o que se saiu melhor foi o Kubrick. Tudo no filme é feito de maneira “fidedigna” para emular a sensação de estar no espaço. Então não há som em cenas no espaço, existe uma lentidão proposital e o sentimento de desolação é transmitido em vários momentos.
Você fica grande parte do tempo pensando “como foi que ele filmou isso em 1968?". As composições visuais são todas impressionantes, ainda mais levando em consideração que grande parte dos efeitos visuais são analógicos. Acaba sendo um dos filmes que mais aposta no poder imagético, tornando grande parte dos diálogos desnecessários.
Ele faz a mistura perfeita de audiovisual com belíssimas e impressionantes imagens e com a música clássica presente em todo o filme, que não manipula nossos sentimentos, mas torna o ambiente ao mesmo tempo familiar e impressionante.
A história talvez possa ser o ponto fraco para alguns, visto que Kubrick se interessa muito mais em fornecer uma experiência do que uma história. Mas ela está presente e se você prestar atenção vai perceber o quanto ela é inventiva e interessante. Um bom complemento é o livro que foi feito paralelamente com o filme.
O filme acaba sendo então sobre a evolução do ser humano. Ao começar na pré-história tendo como momento de virada a parte onde o homem primitivo descobre a arma (no caso o osso), Kubrick evidência o caráter violento do ser humano e com o salto temporal mais longo do cinema, o diretor mostra no futuro o contraste entre o humano primitivo e o humano no começo de seu fim.
Mas o mais interessante é que esse fim não é apocalíptico, mas sim evolutivo. A criança-estrela, no universo do filme, é o próximo passo do ser humano. Um ser observador e pensante que transcende as dimensões ao olhar diretamente para o público no fim do filme. O próprio caráter frio dos seres humanos no futuro, se comparados a HAL 9000 demostra que esse processo é natural. Ao percebemos como os seres humanos estão mais frios e apáticos no futuro, entendemos que eles estão preparados para esse próximo passo.
Sobre a influência de vida extraterrestre nessa evolução, o filme não faz muita questão de desenvolver. Acaba que o publico pode interpretar como quiser, seja algo mais religioso (ideia reforçada pela música que toca na presença do monólito), alienígenas propriamente, ou até mesmo uma humanidade evoluída representada pela criança-estrela.
Um dos melhores filmes de todos os tempos, pelo seu subtexto complexo e valor absurdamente fantástico de produção. Stanley Kubrick mostra o porquê de ser tão consagrado ao realizar essa obra prima.

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