Shithouse ★★★★

A geração que cresceu assistindo às comédias românticas "indies" e teve toda sua cota de Manic Pixie Dream Girl, de Summer a Ramona Flowers, entrega o que, pra mim, é um dos melhores filmes recentes do gênero.
Alex não é o galanteador do discurso perfeito, com tiradas que arrancam um sorrisinho de canto da boca de sua pretendente, não. Alex é machista, prepotente, persegue, mas também chora, é gentil, honesto e tem muito medo quando se vê sozinho em uma das fases mais difíceis de um jovem adulto.
Raiff trespassa, como ator e diretor, todo o constrangimento e eletricidade de uma "primeira noite casual" universitária. Com um plano aberto agoniante, é como se estivéssemos presentes no dormitório e a vontade é de se esconder nas almofadas. Uma pena que não teve a mesma sensibilidade de escolher um plano sequência ou um enquadramento tão criativo quanto para a cena de discussão, que tem boas atuações mas perde emoção pelos cortes secos.
No fim Shithouse é honesto. Honesto consigo mesmo, por saber que é um longa de orçamento minúsculo e praticamente obra solo, e não tentar ser mais grandioso do que é. E honesto com seu público por mostrar ambos os seus protagonistas como pessoas bem mais reais do que as gerações anteriores. E o filme acaba, assim como Alex, sabendo aproveitar seu contexto pra proporcionar uma experiência difícil de se encontrar por ai.