Nomadland

Sei que vários colegas já disseram isso (e com muito mais precisão do que eu), mas é bastante incomodo como o filme realmente segue uma proposta meio Arábia mas sem nenhuma sensibilidade na sua direção. É, como disse o Marcelo Miranda, um filme que lamenta o fim do capitalismo, o que não poderia ser mais… capitalista.

Um filme que ainda por cima tenta emocionar naquela tática meio rasteira de filmar situações indignas (em meia hora já tinha visto a Frances McDormand indo ao banheiro duas vezes) mas que não consegue humanizar essas pessoas se não pelo mero retrato de sua miséria (retrato esse que soa artificial em TODAS as suas tentativas estéticas e, por isso, parece falso e até insensível).

Até tem algo interessante aqui e ali, como essa tentativa de emular o documental e dando foco nas histórias de outros nômades, mas tudo fica meio jogado, nada se amarra e tudo parece remendado. E a Chloe Zhao parece mesmo só estar interessada em filmar a Frances indo do nada para lugar nenhum, igualzinho à narrativa do filme e como se fosse uma propaganda do novo celular da Samsung que passa no intervalo do BBB.