Blade Runner

Blade Runner ★★★★★

O comentário contém SPOILERS...

Blade Runner é uma ficção científica que remete aos clássicos noir do cinema, com uma atmosfera sombria, personagens dúbios e clima investigativo. O filme nos mostra um futuro melancólico, chuvoso, decadente, pessimista, onde é difícil distinguir o que é "ser humano", além da eterna busca por uma identidade que parece inexistente.

Nunca gostei muito de Harrison Ford como ator, mas achei que ele ficou perfeito nesse papel, já que Deckard é um homem que não sabe expressar suas emoções, e isso ele consegue mostrar muito bem no filme.

Quando Blade Runner foi lançado, foi muito mal recebido por inúmeros motivos, e ao longo dos anos ele foi ganhando reconhecimento e passou a ser considerado um filme revolucionário e influente.

Logo no inicio é mostrado um mundo pós apocaliptico, as pessoas não se preocupavam mais umas com as outras, viviam suas vidas miseráveis todos os dias como se fossem robôs.
Os replicantes eram vistos com discriminação por serem diferentes, mas eles eram capazes de pensar, e ter sentimentos, então por que devem ser eliminados? E o que de fato os diferencia de um ser humano?

Afinal, durante todo o filme, os replicantes parecem ser muito mais ''humanos'' do que os próprios humanos. Quando Deckard vai contar para Rachael que ela é uma replicante, ela cai em lágrimas por descobrir que não era humana, afinal, ela tinha memórias, lembranças, sentimentos, porém era tudo implantado. Deckard começa então a se questionar sobre sua humanidade, se as ações dele são corretas, e o que o torna de um fato um humano. Esses questionamentos estão presentes por todo o filme.

Roy é o grande personagem da história, não da para chama-lo de vilão, muito pelo contrário, nós nos identificamos com ele, quando ele se encontra com seu criador numa ultima tentativa de sobreviver (pois a única coisa que os replicantes queriam era continuar vivendo) nós podemos ver toda a sua angústia, quando percebe que não existe uma solução, numa interpretação excelente de Rutger Hauer.
Ao ver Pris morta, ele sofre, e o único sentimento humano que lhe resta antes de morrer é a vingança contra aquele homem. Mas quando ele está prestes a matar Deckard, Roy vê Deckard lutando tão desesperadamente para não morrer, que acaba se vendo nele, Deckard e Roy naquele instante eram iguais, apenas queriam continuar vivendo. Ai temos o sensacional monólogo final, onde Roy decide compartilhar suas últimas lembranças com Deckard. O espectador não sabe exatamente sobre o que Roy está falando, mas compreende o valor que aquela lembrança tinha para ele, assim como compreende o quanto ele considerava a vida importante.

A trilha de Vangelis é a minha preferida de todos os tempos, e o desfecho ambíguo é genial.

Blade Runner é um dos meus filmes favoritos da vida, mas não é sempre que consigo revê-lo, ele me passa uma sensação tão amarga, tão triste, tão deprimente, que dependendo do meu estado de espírito, fico extremamente mal quando acaba.

Ps: E pensar que o ator Rutger Hauer iria morrer em 2019, mesmo ano que o filme Blade Runner se passa. Coisas do cinema.