The Favourite

The Favourite ★★★★½

Eu saí de The Favourite com uma coisa certa em mente: no quesito atuação, esse trio é a melhor coisa de 2018 e uma das melhores dos últimos anos, simples. Eu gostei de cada atriz de uma maneira diferente, mas o conjunto é assustador. A Emma Stone tem claramente um arco, construído de maneira primorosa a partir dos principais elementos do roteiro: ambição e manipulação. É uma interpretação que cresce junto com o filme, a medida em que o roteiro vai se desdobrando. Essa moça me impressiona a cada filme que passa. Já a Rachel Weisz é implacável e imponente, com uma calma que torna a personagem bastante ameaçadora desde o início do longa. E a Olivia Colman está simplesmente impagável, com uma gritaria sem igual que contrasta muito bem com a tristeza e o estado deprimido da personagem; repare que na maioria dos casos em que ela é mostrada como rainha, há sempre planos-detalhe e closes, mostrando todo o vazio no olhar dela, é incrível. É até injusto escolher apenas uma das três, então só tenho a aplaudir. Sobre outros personagens, destaque para o Nicholas Hoult, que migra com naturalidade entre o conflito entre as personagens e os conflitos políticos, e serve de porta para que outros personagens também possam andar dos dois lados; apesar de estranho, é um personagem importante.

Vamos falar então de Yorgos Lanthimos. Ele tem a fama de fazer filmes estranhos, e aqui ele não escreve o roteiro, saindo um pouco da sua zona de conforto; nesse sentido, ele se utiliza de um leque variado de recursos técnicos e visuais para compor a história, dentre os quais planos fechados e abertos para ostentar as paisagens e o castelo, a câmera fisheye (deve ter sido a primeira vez que eu a vi em um filme), planos-sequência e detalhe, sem falar da iluminação natural, a fotografia afiadíssima e as belas cenas à luz de velas. Tecnicamente, é um verdadeiro espetáculo e a direção é excepcional. Além disso, a trilha sonora estranha, meio irritante, é providencial na criação do clima.

The Favourite é um filme engraçado, de um jeito estranho, tem um ótimo roteiro, apesar de eu achar que não precisava da divisão em capítulos. Diálogos excepcionais, mensagens escondidas nas entrelinhas (aqueles coelhos...), um visual e um design hipnotizantes que lembram clássicos como Barry Lyndon e Amadeus e, principalmente, esse trio maravilhoso de atrizes que merecem todo o reconhecimento possível. Em tempos de intolerância e ignorância, é muito bom ver mulheres fortes em papéis principais chutando bundas. Um filmaço.

Ygor Barbosa liked these reviews