Old

Old ★★★★½

De alguma forma é o filme mais “teatral” do Shyamalan. Tanto no sentido do espaço limitado e minimalista em que a ação se passa (a praia como essa espécie de palco possibilitador) como no sentido dramatúrgico (as falas são muito rápidas e vão se entrecortando de modo muito metódico, como em uma peça mesmo).

Até remete um pouco ao dispositivo do Dama na Água no sentido de isolar tudo nesse espaço limitado, mas de certa forma consegue ser mais radical por propor situações absurdas com elementos muito mais básicos.

É um filme sobre a sugestão no sentido mais direto da palavra, já que em vários casos simplesmente recusa mostrar as coisas totalmente e só descreve. Mostra apenas elementos ou objetos isolados (como na cena do tumor e do parto), sem nunca perder a potência dramática em cena. Você não vê a construção completa da cena mas, ainda assim, se emociona como se estivesse acontecendo na sua frente.

É o anti-cinema que reforça o cinema no sentido Jacques Rivette da coisa. É um filme que se utiliza dos elementos mais básicos possíveis (corpo e espaço) para manifestar uma riqueza de possibilidades dramáticas.

Ele até usa desse minimalismo pra variar essas situações com uma velocidade maior. Como não precisa, em teoria, mudar de cenário, tudo acontece ao mesmo tempo nesse mesmo “palco”. Até brinca com essa livre associação de ideias quando mistura frases que parecem não se conectar, mas criam um ritmo muito específico.

Inclusive é uma das decupagens mais complexas dele justamente por dar conta dessa variação tão bem. Mesmo quando existem elipses, os planos se conectam de um modo que parece que tudo está acontecendo de forma simultânea, que existe essa velocidade que tenta dar conta dos acontecimentos acelerados sem soar forçada.

É um filme virtuoso que não tem cara de ser virtuoso (os comentários retardados sobre o trabalho de câmera são mais um belo sinal disso). É muito mais difícil - e elegante - ser um autor que esconde as suas escolhas a partir do efeito total delas do que ser um autor que só sabe fazer um grande plano quando o plano está gritando que é um grande plano.

Qualquer outro diretor-autor contemporâneo da moda transformaria essa premissa numa pirueta formal cheio de sacadas, mas quando o cara sabe o que está fazendo tem noção de que focar no essencial é muito mais importante (e difícil…) para o drama fluir sem histerias e com uma naturalidade impactante.