The Conjuring: The Devil Made Me Do It

The Conjuring: The Devil Made Me Do It ★★★½

Visualmente é o mais sofisticado da franquia. Talvez o que mais confia no trabalho visual como um todo. Junta bem a abordagem mais gráfica com um elemento atmosférico - quem sabe uma bem digerida influência do “pós-terror”?

Chega até a lembrar o Hereditário nesse formalismo mais sóbrio e em como resolve algumas coisas de modo mais minimalista e não tão épico (as duas cenas que se alternam na sequência final são relativamente simples).

Até a possessão final do cara na penitenciária se contenta com elementos bem básicos (um padre, uma mocinha, muita contraluz e acabou).

Se por um lado isso reforça algumas características que já existiam na franquia (especialmente esse modo mais realista e objetivo de se lidar com as coisas), por outro é um filme mais direto ao ponto. Uma vez que toda a mitologia está bem estabelecida, ele se foca mais nas dinâmicas daqueles episódios.

Remete até a uma lógica “monstro da semana” do Arquivo X, já que oferece uma narrativa independente que até lida com a mitologia do casal, mas não chega a depender diretamente de possíveis novos rumos.

Muitas franquias hoje em dia acabam presas a essa ideia de propor um tudo ou nada, de eventos que prometem redefinir todo aquele mundo pra que se tenha um interesse pela continuação. Aqui o pessoal parece muito mais ligado em uma lógica serial de matinê ou algo do tipo.

O que faz do longa algo muito mais interessado em dinâmicas diretas do horror do que em apelos evidentemente industriais que apenas explorariam o branding da série de filmes.

Obviamente que mesmo nisso existe um grande apelo, mas também uma liberdade cinematográfica maior.