The Edge of Democracy

The Edge of Democracy ½

PT-EN

Muito foi dito sobre como Petra Costa transforma a História recente do país em uma sessão pessoal de terapia, não quero atribuir valor a isso especificamente. Mas existe um valor que eu não vou deixar passar: Petra romantiza a jornada de seus pais, que dedicaram sua juventude, segundo ela, a nobres viagens e ativismo político. Logo se revela, porém, à revelia da cineastas (que continua tentando manter intacta a imagem de seus pais) que não passou de um mochilão de jovens burgueses que logo voltaram para o seio da riqueza.

Petra finalmente entrevista sua mãe. A mãe, com certa melancolia, admite que participou do jogo político que culminou na ruína moral do PT e destruição do país, mas não por mal, e sim porque era simplesmente o modo como as coisas eram, era o que se fazia. Ela, uma pobre milionária, corrompeu políticos, comprou influência, e age como se não tivesse havido escolha para ela. Que os politicos, como o próprio Lula, aleguem ter participado por estarem de mãos atadas enquanto tentavam exercer sua missão sem serem comidos (Numa lógica meio Serpico, o único policial honesto que, por isso mesmo, é o que se dá mal) faz até certo sentido, mas ver a filha de corruptores pintando a mãe como uma heroína sem jamais problematizar o fato de que ela participou ativamente na destruição do país, de que ela possuía sim poder e influência, de que ela possuía sim milhões na conta, de que ela teve sim culpa, de que ela é sim mais uma milionária mimada, me soa intragável. Petra construiu sua carreira meteórica (seu primeiro filme possuía um Bravo de Walter Salles no poster, seu segundo tinha todos os maiores atores e atrizes do Brasil num vídeo viral) com o mesmo dinheiro que levou Lula à prisão (sem provas, mas com todo um contexto em volta de si). Que o mesmo esquema que causou suas lamúrias é o que pagou pela sua glória, jamais é mencionado nessa sessão de terapia. Eu não tenho nada contra sessões de terapia em forma de arte, mas se você não vai até o fim, acontece o que aconteceu com Petra: torna-se uma masturbação insuportável e uma tentativa de expurgar culpa sem de fato refletir sobre ela. Triste, feio e imoral. Não importa o quão linda e competente é a narrativa do PT E do Golpe que ela constrói.

No fim o problema do filme não é ser pessoal, é ser equivocado no julgamento quanto a si. Petra age como se a imoralidade de sua família fosse algo distante perdido no tempo, quando está ali com ela a todo momento, está nos pais dela, está em torno dela, está nela. Petra age como se fosse vítima do golpe quando foi agente.
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A lot has been said on how Petra Costa turns the recent History of the country into a personal therapy session, I don't want to put a value in that especifically. But there is a value I don't want to leave unattended: Petra romanticizes the journey of her parents, who dedicated their youth, according to her, to noble trips of political activism. It's soon revealed, though, in spite of Petra's efforts to keep intact the image of her holy parents, that it was no more than a hippie adventure of two bourgeois youngsters who soon came back to their rich background.

Petra finnally interviews her mother. The mother, with a certain sadness, admits she participated in the political game which ended in the moral ruin of the Workers' Party (PT) and destruction of the country, but not because she was evil, but because that was simply the way things were, it's how things were done. She, a poor millionaire, corrupted politicians, bought influence, and acts like there was never a choice for her. That the politicians, such as Lula himself, claim to have participated in it for having their hands tied while they were trying to carry on ther mission without being eaten (In sort of a Serpico vibe, the only honest policeman who, for that very reason, is the one to get fu***d) makes a little bit of sense, but to see the daughter of corruptors painting her mother as a heroine without ever putting into question the fact that she participated actively in the destruction of the nation, that she was to blame, that she is a spoiled millionaire brat, is more than I can swallow. Petra built her rocket carreer (Her first film had a praise by the famous Walter Salles in the poster, her second had all the greatest actors in the country doing a viral in the trailer) with the very money that sent Lula to jail (Without proof, but with a whole context around him). That the very scheme that caused her whining is the one that paid for her glory is never mentioned in this therapy session. I have nothing against therapy sessions in art, but if you don't carry it all the way through, you'll have what happened to Petra: It becomes an unbearable masturbation and an attempt to purge the guilt without actually reflecting on it. Sad, ugly and imoral. It doesn't matter how beautiful is the narrative of PT's History and the coup that Petra manages.

What it comes down to is that the problem with the film is not that it's too personal, it's that it entirely misses the point about itself. Petra acts as if the immorality of her family is something lost in distant times, when it's right there with her at all moments, in her parents, around her, it's in her. Petra acts as if she was a victim of the coup d'etat when she was an agent.

Villar liked this review